Andei lendo um bocado hoje. Insisti na inútil tentativa de encontrar um fragmento ou alguma poesia que valesse a pena te mandar... dessas que a gente manda um pouco pra impressionar, um pouco pra compartilhar sentimentos, sabe? Ao mesmo tempo em que foi infinitamente prazeroso, já que todas as leituras me fizeram lançar à parede um olhar nostálgico e um sorrizinho irônico ao fim, minha garimpagem foi vazia, sem êxito. Não porque foi uma busca sem sinceridade - Não queria te mandar um texto a qualquer custo, assim, enviar por enviar. E sim, porque hoje me senti uma nova pessoa, a ponto de não saber que texto poderia traduzir o que sinto. Talvez esse texto não exista. Não estou pra filosofias, lições de moral, tampouco amor. Pensando bem, talvez amor sim, mas não esse amor de tirar o fôlego e de fazer perder a cabeça... Um amor mais simples, sem pretenções. Mais parecido com admiração que amor. Então, lembrei daquelas clichês histórias de sermos nós mesmos... Como que dá pra ser eu mesma numa hora que quero agradar a uma pessoa que conheci na semana passada? Sinceramente, isso não existe. Sempre forçamos no fundo, no fundo, um pensamento que normalmente não está ali, mas, naquele instante, em que precisa ser dito, ele se encaixa lindamente bem. Enfim... Não acreditei ser capaz de escrever alguma coisa que valesse a pena mas acho que vai sair... Lá vai: Escrevo porque te acho um cara especial. Tá... isso você já sabia. Quem vai escrever pra uma pessoa sem importância?? Mas o que pra mim não é óbvio, é o motivo que te torna um moço especial. Tá tudo tão cru que tenho medo de parecer melosa ou precipitada e estragar tudo. Pra falar bem a verdade, eu queria ter te falado isso naquele dia que fomos assistir o Bob Dylan, mas não consegui... Eu me senti incrivelmente infantil nesse dia, porque por alguns segundos fiquei te admirando de rabo de olho e na hora que fui falar, acabei elogiando o Richard Gere. Portanto, fique sabendo que o Richard Gere era você! Tem também outra coisa: Ando bem empolgada ultimamente. Isso porque tenho sentido o lado cinzento e inquietante da "procura por uma pessoa" se afastar. Já senti isso antes... Não que dessa vez seja mais importante mas já estou calejada, por isso, não tenho medo. É que depois de todas as tempestades que vivi, o que fica em mim é cada vez mais verdadeiro. Dessa vez é diferente, não na proporção, mas na metafísica do agora. O agora de hoje é diferente do agora de ontem. A diferença é esse transbordar de suspeitas e quem sabe, a possibilidade de olhar pra você e me enxergar mais leve, mais útil para alguém e para mim mesma. Gosto tanto da idéia de ser provável que descarto a questão do improvável. A diferença é que dessa vez é você, uma pessoa que pode vir a fazer diferença. Se não fizer, já valeu por me deixar com a suspeita. É sinal de que estou chegando cada vez mais perto do que busco.
Beatriz Fernandes