terça-feira, 28 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Suspirando Fábio Mello...

Prefiro ser rude do que ser conivente, pois seria fácil nos embrenharmos em um matagal gigantesco, fazendo amor durante quinze luas... Nada aconteceria entre nós: Sairíamos para a rua e seríamos a mesma representação humana, enquanto que essa abstração que a gente vivencia me engrandece, faz meu desejo se materializar, imagino...
(...)
Sabe... Pensei bastante sobre o fato da minha solidão. Esse fim de semana, como ia te falar, passei em laguna, na casa de uma amiga, pertinho da praia. Um lugar maravilhoso: uma das cidades mais antigas do Brasil. Vi os pescadores trabalhando com ajuda dos golfinhos que cercavam as tainhas, a gente andou de carro na beira da praia. Quase seis quilômetros de praia. Foi maravilhoso... Em quatro amigos, jogamos Dorminhoco, Stop, bebemos vinho e celebramos os poucos minutos de felicidade. Pois solidão é mais que necessária para se compreender a vida. Penso que somos sozinhos o tempo inteiro, mesmo que junto a outras pessoas... Não acredito em soluções amorosas e as procuro cada vez menos. Entendi que o ser romântico mora dentro.. Como morou no peito de Baudelaire, como morou nas pinturas de Monet.
Precisamos de uma compreensão maior da vida porque temos medo de nós mesmos, de abrir nosso peito para o mundo, abrir nosso cérebro a uma possível transmissão quântica e necessária, porque vejo meus amigos (cada qual com seu par) anulando a dor, anulando a possibilidade de qualquer contato com a realidade. Quando vivemos, achamos que a morte acontece uma vez só, mas a vida é marcada por acontecimentos extremos: Se morre a toda hora e se vive novamente.
(...)
Não me piro muito em amores, companhia... Posso ficar muito tempo afastado, pois sou extremamente sexual em tudo que faço... Meu instrumento, meu som, minhas palavras... A forma que gozo... Sinto um braço forte da realidade rompendo um som de milênios... Sempre procurei sanar minha dor, mas o desejo da solidão acabou por me encontrar.

Miscelâneas inspiradoras.

''Um poeta, um dia falou que:
'O nosso amor a gente inventa pra se distrair... e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu.'
Eu já prefiro pensar que o nosso amor passou a existir num momento de distração. Naquele justo instante em que, desatentos, não o vimos chegar, ele entrou. Na certa, se estivéssemos concentrados nele e não em nós mesmos, não nos permitiríamos descobrí-lo." Como um repelente, a consciência entra em cena e o afasta. Claro! Eis o palco tétrico das armações diárias... Eis o Tomas:

"É preciso observar a regra de três. Pode-se ver a mesma mulher em intervalos bem próximos, mas nunca mais de três vezes. Ou então vê-la durante longos anos, mas com a condição de deixar passar pelo menos três semanas entre cada encontro. Esse sistema dava a Tomas a possibilidade de nunca romper com suas amantes e tê-las em profusão. Esforçava-se, portanto, cuidadosamente para organizar sua vida de maneira tal que nenhuma mulher jamais viesse a se instalar com mala em sua casa."*

*trechos de A Insustentável Leveza do Ser